Terra Magazine
A facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) organizou 63 ataques a bases comunitárias da Polícia Militar e delegacias da Grande São Paulo desde o início da madrugada desta sexta-feira.
Carros da PM foram metralhados, uma delegacia foi atacada por uma granada. Até agora 30 pessoas foram mortas: 11 policiais militares, cinco policiais civis, três guardas municipais (de cidades do interior), quatro agentes penitenciários, um bombeiro e dois civis. Segundo a Secretaria de Segurança do Estado, pelo menos quatro bandidos foram mortos e cinco pessoas ficaram feridas nos ataques.
A represália do PCC ocorreu devido à decisão da polícia de separar o grupo e transferir 765 presos na quinta-feira para o presídio de Presidente Venceslau, no interior do Estado. Os policiais interceptaram uma megarrebelião que seria realizada no domingo organizada por Marcos Camacho, o Marcola, líder da facção. Marcola foi transferido para um presídio de segurança máxima.
O governador de São Paulo, Claudio Lembo, afirmou que sabia que os criminosos poderiam promover ataques aos policias. Disse ainda que, se a PM não estivesse preparada, o número de mortes poderia ter sido maior. Saulo de Castro, secretário de segurança, também afirmou que a polícia estava preparada para o contra-golpe, mas admitiu que "a espinha-dorsal de nossa segurança foi atingida".
Em Viena, o presidente Lula lamentou os ataques, disse que os estados sozinhos não vão conseguir combater o crime e que "o problema da violência no Brasil é que durante 50 anos, quando se falava em investimento em educação, se falava em gasto e aí colocava o dinheiro da educação como para qualquer outra coisa".
O Estado de São Paulo enfrenta 19 rebeliões neste sábado, segundo informações da Secretaria de Administração Penitenciária (SAP). Pelo menos 87 reféns estão sendo mantidos sob poder dos bandidos.
Folha Online
Mais cinco ataques que tiveram como alvos policiais, guardas municipais e agentes penitenciários ocorreram do final da tarde à noite deste sábado, em diferentes pontos do Estado de São Paulo. Desde a noite de sexta (12), foram contabilizadas 63 ações. Elas são consideradas uma resposta do PCC (Primeiro Comando da Capital) à decisão do governo do Estado de isolar líderes da facção. Os ataques deixaram ao menos 30 mortos.
O último ataque ocorreu no início da noite, em São Bernardo (Grande São Paulo). Informações preliminares apontam que uma base comunitária da GCM (Guarda Civil Metropolitana) foi alvejada por homens que seguiam em um carro. Não há informações sobre novas vítimas.
Morreram 11 PMs --três deles não estavam trabalhando--, cinco policiais civis em folga, três guardas em serviço, quatro agentes penitenciários em folga e dois civis --a namorada de um policial e uma possível vítima de bala perdida. Segundo a Secretaria da Segurança, 16 suspeitos de envolvimento nos crimes foram presos e cinco, mortos em confrontos.
Somente na cidade de São Paulo, os criminosos promoveram ao menos 31 ataques: Destes, cinco ocorreram no centro, três na zona norte, dois na zona oeste, oito na zona sul e 13 na zona leste.
Segundo o governo, as ações também ocorreram na Grande São Paulo --dois em Guarulhos, um em Santo André, um em Jandira e um em Jundiaí--, no litoral --dois no Guarujá e um em Cubatão-- e no interior --Araras, Campo Limpo Paulista, Itapira, Mogi Mirim, Ourinhos, Piracicaba, Ribeirão Preto, Santa Bárbara d'Oeste e Várzea Paulista.
Reação
Os ataques começaram após uma megaoperação do governo paulista que transferiu 765 presos que integram o PCC na recém-reformada penitenciária 2 de Presidente Venceslau (620 km a oeste de São Paulo), na quinta-feira (11), com a intenção de isolá-los.
Na sexta (12), oito homens apontados como líderes do PCC foram levados para o Deic (Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado), na zona norte de São Paulo. Entre eles estava o líder da facção, Marcos Willians Herba Camacho, o Marcola.
Neste sábado, o governador Cláudio Lembo (PFL) disse que o governo sabia, na quarta (10), que as transferências trariam "conseqüências". "Pensamos em todas as possibilidades e também nos riscos que nós poderíamos correr. Mas era preciso combater o que estava ocorrendo e acontecendo."
"Nós não estamos com bravatas nem com timidez. Estamos com a segurança de quem cumpre a lei e o Estado de Direito", disse o governador.
O comandante-geral da PM, coronel Elizeu Eclair Teixeira Borges, afirmou que a corporação estava em alerta, com equipes de prontidão, para possíveis reações. "Acreditamos que o número de mortes, inclusive, foi bem menor se não tivesse esse tipo de alerta", disse.
Em entrevista que contou com a cúpula da Segurança no Estado, o secretário da Administração Penitenciária, Nagashi Furukawa, descartou uma possível falha do governo na estratégia de isolar a liderança do PCC.
"Acho que a medida que o governo tomou era necessária, ainda que tenha ocorrido esta resposta, porque o governo tem que agir, tem que cumprir a lei e ser firme em suas ações."
Presídios
Na sexta, enquanto líderes da facção estavam no Deic, presos iniciaram rebeliões na penitenciária 1 de Avaré e na penitenciária de Iaras, ambas no interior.
As ações criminosas ganharam proporção e os motins se espalharam, neste sábado, para outras 21 penitenciárias e CDPs (Centros de Detenção Provisória) do Estado. Das 23 unidades, 18 permaneciam rebeladas às 21h deste sábado. Há reféns.
Bom, triste dia para os paulistanos, que experimentaram atos de violência gratuita como há tempos não se via. E a organização dos bandidos, que vergonha, eles estão mais organizados do que a polícia, do que o governo, do que todos. Resta ao povo inocente perder pais, filhos, irmãos, e ficar cada vez mais alerta, cada vez com mais medo.
Já aqui em Serafina Corrêa, o dia foi bem mais calmo, mas nem por isso 100% feliz. O mau humor toma conta de mim, e a revolta me faz querer fugir, como já aconteceu outras vezes. Espero que um Acústico MTV me enterta, ou um episódio de Lost, porque Altas Horas hoje o sono não deixa.
