Parte I - Internacional
Eu canto "Baby One More Time" na frente do espelho, não consigo ficar parada ao som de "U Can't Touch This" e aumento o volume do rádio se estiver tocando "God Gave Rock'n'Roll To You". Portanto, sei apreciar uma canção que, apesar de não ser lá reconhecidamente um primor em termos melódicos, diverte e traz bons momentos. Porém, no meio dessa rica safra acumulada desde que o homem começou a batucar na caverna até o presente momento, existem certas músicas que não trazem o bônus "é tão ruim que chega a ser legal". Elas são apenas ruins. Quiçá, infernais.
Se quando escuto "We Are The Champions" tenho vontade de pegar o cabo da vassoura e sair cantando como Freddy Mercury (após haver me certificado de que não há ninguém em volta para testemunhar o espetáculo, é claro), quando me deparo com essas obras do demo sinto outros tipos de vontades. Na maioria das vezes, destrutivas. É que música sempre me atinge, sabe? De muitas e distintas maneiras, dependendo do gênero. Se o gênero, no caso, for "infernal"... Bem, acompanhe algumas amostras:
Don't Worry, Be Happy (Bobby McFerrin)
Parece que o meliante responsável por tal crime contra os ouvidos da Humanidade estava querendo fazer uma espécie de "hino otimista e alegrinho". Algo pra frente, feliz, levantando o astral... Mas como acontece com livros de auto-ajuda, o efeito dessa patacoada, em mim, é totalmente oposto: me dá uma depressão dos diabos.Conseqüência: Amaldiçoar o sol, fechar todas as cortinas, enfiar-se debaixo das cobertas em posição fetal e esperar o dia seguinte chegar.
Macarena (Los Del Rio)
Há muitos e muitos anos, o planeta Terra era um lugar bacana de se viver. E assim permaneceu até o momento em que a febre da "Macarena" chegou como um prenúncio do apocalipse. De lá para cá foi só descida. Para coroar, ela ainda veio acompanhada de uma dança pior do que a do acasalamento do orangotango africano. Conseqüência: Overdose de aspirina por conta da dor causada pelo chacoalhar da cabeça na vã tentativa de tirar a peste do cérebro.
Dying Young (Kenny G)
Os produtores do filme "Tudo Por Amor" ainda não estavam 100% satisfeitos com a ruindade do roteiro, das atuações, da direção. Pensaram "ei, como a gente pode meter de vez o pé na jaca?". Decidiram, então, encomendar uma música-tema para aquele pulha do Kenny G que, tal qual a caixa de Pandora, jamais deveria ter sido trazido a público. Conseqüência: Pensamentos assassinos envolvendo um trompete, um músico chato pra dedéu, um beco escuro e zero de misericórdia.
Roxanne (The Police)
Não sei explicar ao certo o motivo, mas a cada vez em que Sting, com sua voz rouca, grita "Rooooooxanne..." na melodia em questão, algo morre devagarinho dentro de mim. Talvez seja uma coisa orgânica, algo no meu corpo que cria anticorpos contra esse hit. Ou, na teoria mais aceita, talvez esse hit seja mesmo insuportável. Conseqüência: Tremores raivosos que fazem derrubar pratos no chão ao lavar a louça e rasgar excessivamente a caixa de Sucrilhos.
My Heart Will Go On (Celine Dion)
Se seu pai não tivesse conhecido sua mãe, você não estaria aqui, certo? Como um detalhezinho pode mudar toda uma existência... E assim foi com a canção de "Titanic". Se a fita que a gralha canadense gravou com sua versão do tema tivesse extraviado e nunca alcançado as mãos da produção do filme, bem, nossa vida estaria melhor. Conseqüência: Ímpeto de pegar um navio e, em alto-mar, saltar para o desconhecido. Criaturas abissais não ouvem Celine Dion, ouvem?
Hey Jude (The Beatles)
Que doloroso colocar uma das minhas bandas favoritas em uma lista tão depreciativa. Mas é bom para mostrar que até os mestres podem fazer caca. Como aconteceu com Paul McCartney e sua infernal canção dedicada ao filho de John Lennon. Comparada às outras pérolas do grupo, a mancada chamada "Hey Jude" fica ainda pior. Conseqüência: Na hora do "na... na... nananana... nananana... hey jude", tampar os ouvidos e cantarolar "Penny Lane".
Love By Grace (Lara Fabian)
Mais conhecida como "a música da Camila", essa obra chorosa foi usada e abusada na novelinha global em que Carolina Dieckman tinha câncer e ficava careca. Era só aparecer a cara da personagem que o pianinho começava a tocar ao fundo de leve, chegando em um crescendo. A raiva também, compadre, chegava em um crescendo... Conseqüência: Arrancar os cabelos e, com eles, fazer uma simpatia para que o Manoel Carlos decida se aposentar o quanto antes.
Light My Fire (The Doors)
Eu até gosto de algumas músicas dos Doors, mas, céus, que pecado cometemos em vidas passadas para termos de agüentar um solo de teclado de 30 minutos? As únicas pessoas que suportam a tortura são os locutores de rádio, que podem finalmente ir ao banheiro, comer um lanche e tirar soneca enquanto tocam a canção. Dá tempo. Conseqüência: Usar poderes meditativos e entrar em um estado de transe para que ruído algum chegue à mente pela meia hora seguinte.
Heal the World (Michael Jackson)
Queria saber em que Michael Jackson está colaborando para "sarar o mundo" e fazer deste "um lugar melhor para você, para mim e para o resto da raça humana". Com certeza não é criando boa música. Quer sarar o mundo, Michael? Venda seu rancho e doe a grana para as criancinhas da África. Mas mande entregar, sim?
Conseqüência: Choro compulsivo de lembrar como este astro já foi genial e teve a manha impressionante de estragar tudo.
I Will Always Love You (Whitney Houston)
Primeiro, havia a guilhotina. Depois, veio a bomba atômica. Em seguida, suspeitas de armas biológicas. E então, quando achamos que tudo de ruim já havia sido criado pela sede de destruição do homem, chega Whitney Houston berrando "And I ia ia... will always love you uuuu... ia.... ia... ia... will always... love you uuuu... uuuu... ". Conseqüência: Vontade de morder o próprio cotovelo, arranhar as unhas na parede, mastigar pedra, beber sangue...
terça-feira, 29 de novembro de 2005
domingo, 20 de novembro de 2005
Bad, bad server
isso ae tirei do site de umas colunistas mtooo legais da revista Época.....
Vez por outra, o mundo conhece um anti-Cristo. Tivemos Jack, o Estripador, Charles Mason, Osama Bin Laden, Maníaco do Parque, o cara que criou a campanha das Casas Bahia... Muitos foram os infiéis que abalaram as estruturas da nossa pacata vidinha. Ultimamente, uma praga semelhante parece se infiltrar de forma nada velada no cotidiano da sociedade e tomar conta de tudo ao poucos. Esperto, esse endemoniado Orkut.
Parece perseguição. Em tudo quanto é assunto, o malfadado site de relacionamento vem à baila. Falamos de viagens ao espaço, tem alguém que ficou amigo do Neil Armstrong – ou um arremedo dele. Papeamos sobre loiras geladas, alguém recorda de uma comunidade orkutiana “Eu quero um tsunami de cerveja”. Pode?
Não tem escapatória, o país se conectou nesse troço e agora todos só querem engrossar o coro. Não importa se, de amigo mesmo, você só tem o Zé da padaria. O que vale é ter no Orkut uma lista de 564 amigos. Muitos, aposto, nunca viram a fuça do sujeito que acabam de aprovar como camarada. E tem alternativa? Se você não aprova o danado, ele te esconjura e espalha que você é metido. Espalha pelo Orkut, claro. E vira morte sócio-virtual.
Já me garantiram que, hoje, centenas de namoros começam e acabam via Orkut. Começar, eu entendo. O moço viu lá a foto da amiga da prima, achou fofinha... Não levou em consideração que ela escolheu “A Lagarta Serelepe” como seu livro predileto... Criou laços com a menina. Iniciou-se um chamego, um vem-cá-minha-nêga, marcaram encontro, plaft. Namoro engatado.
Mas e o rompimento? Terminar uma relação via internet é bizarro. Então quer dizer que a talzinha chega lá, abre o scrapbook do amado e digita “Beto, num deu certo... Naum eh vc, sou eu. Bejaum”. E pronto? Acabou? Se fazem isso comigo, mando um vírus pro e-mail da maldita. Não se pode tolerar tanto desapego.
O pior é que já vi acontecer um embaraço típico de Orkut bem aqui, na minha cara. Toda pimpona e simpática, mandei mensagem a um antiqüíssimo namorado. Disse apenas que vi suas fotos, notei que os irmãos cresceram e que todos estavam bem. Felicitei. Mandei um abraço. Dias depois, fui convidada a não mais escrever a ele, porque não seria legal. Esposa ciumenta, imagino. Tremenda vergonha...
Não faço mais. Esse negócio de sair contatando gente do passado só vem dando errado no Orkut. Há chance de ver suas amigas de escola mudadas para pior. Há chance de ver os antigos bonitões do colégio virando pessoas maçantes e destruir todo o encanto. É tiro no pé.
Admito que o site do capeta ajuda em um ponto: lembrar aniversários. Nunca fui tão presente ao desejar felicidades para a turma! Nada que uma boa agenda ou uma memória decente não pudessem fazer, por outro lado.
As adversidades são mesmo muito maiores. Li outro dia que, agora, empresas se acostumaram a checar os candidatos a emprego no Orkut. Resumindo: se você está passando por um processo seletivo profissional, é melhor sair das comunidades “Era Jesus um X-Men?” e “Penso muito em sexo”. Tente entrar naquelas bem chatonas sobre MBA, faculdades importantes dos Canadá etc. Os homens estão de olho. Apesar disso ser um despropósito.
Afinal, o Orkut não é um oráculo que define as pessoas como bacanas e bocós! Se eu tenho menos de 1.450 scraps, sou bobona? Se eu não coloco no ar minhas fotos de biquíni na praia, sou impopular? Se eu não tenho 25 testemunhais dizendo que sou o máximo, isso faz de mim uma perdedora?
Acho que não. Mesmo assim, esse diabo de Orkut virou referência. A imprensa, por exemplo, se rendeu. Uma porção de matérias agora traz o site como uma fonte de informação. A novela das oito vai mal? “No Orkut, a comunidade pede a morte da protagonista”. Ei! Duas dúzias de desocupados fundam uma comunidade de ódio à atriz e a coisa vira verdade absoluta?
É o demônio do Orkut estendendo suas garras e manipulando a massa. Garanto que, se descobrirem lá dentro que escrevi esse texto, vão me deletar. E aí é morte sócio-virtual certa.
Fla Wonka
Vez por outra, o mundo conhece um anti-Cristo. Tivemos Jack, o Estripador, Charles Mason, Osama Bin Laden, Maníaco do Parque, o cara que criou a campanha das Casas Bahia... Muitos foram os infiéis que abalaram as estruturas da nossa pacata vidinha. Ultimamente, uma praga semelhante parece se infiltrar de forma nada velada no cotidiano da sociedade e tomar conta de tudo ao poucos. Esperto, esse endemoniado Orkut.
Parece perseguição. Em tudo quanto é assunto, o malfadado site de relacionamento vem à baila. Falamos de viagens ao espaço, tem alguém que ficou amigo do Neil Armstrong – ou um arremedo dele. Papeamos sobre loiras geladas, alguém recorda de uma comunidade orkutiana “Eu quero um tsunami de cerveja”. Pode?
Não tem escapatória, o país se conectou nesse troço e agora todos só querem engrossar o coro. Não importa se, de amigo mesmo, você só tem o Zé da padaria. O que vale é ter no Orkut uma lista de 564 amigos. Muitos, aposto, nunca viram a fuça do sujeito que acabam de aprovar como camarada. E tem alternativa? Se você não aprova o danado, ele te esconjura e espalha que você é metido. Espalha pelo Orkut, claro. E vira morte sócio-virtual.
Já me garantiram que, hoje, centenas de namoros começam e acabam via Orkut. Começar, eu entendo. O moço viu lá a foto da amiga da prima, achou fofinha... Não levou em consideração que ela escolheu “A Lagarta Serelepe” como seu livro predileto... Criou laços com a menina. Iniciou-se um chamego, um vem-cá-minha-nêga, marcaram encontro, plaft. Namoro engatado.
Mas e o rompimento? Terminar uma relação via internet é bizarro. Então quer dizer que a talzinha chega lá, abre o scrapbook do amado e digita “Beto, num deu certo... Naum eh vc, sou eu. Bejaum”. E pronto? Acabou? Se fazem isso comigo, mando um vírus pro e-mail da maldita. Não se pode tolerar tanto desapego.
O pior é que já vi acontecer um embaraço típico de Orkut bem aqui, na minha cara. Toda pimpona e simpática, mandei mensagem a um antiqüíssimo namorado. Disse apenas que vi suas fotos, notei que os irmãos cresceram e que todos estavam bem. Felicitei. Mandei um abraço. Dias depois, fui convidada a não mais escrever a ele, porque não seria legal. Esposa ciumenta, imagino. Tremenda vergonha...
Não faço mais. Esse negócio de sair contatando gente do passado só vem dando errado no Orkut. Há chance de ver suas amigas de escola mudadas para pior. Há chance de ver os antigos bonitões do colégio virando pessoas maçantes e destruir todo o encanto. É tiro no pé.
Admito que o site do capeta ajuda em um ponto: lembrar aniversários. Nunca fui tão presente ao desejar felicidades para a turma! Nada que uma boa agenda ou uma memória decente não pudessem fazer, por outro lado.
As adversidades são mesmo muito maiores. Li outro dia que, agora, empresas se acostumaram a checar os candidatos a emprego no Orkut. Resumindo: se você está passando por um processo seletivo profissional, é melhor sair das comunidades “Era Jesus um X-Men?” e “Penso muito em sexo”. Tente entrar naquelas bem chatonas sobre MBA, faculdades importantes dos Canadá etc. Os homens estão de olho. Apesar disso ser um despropósito.
Afinal, o Orkut não é um oráculo que define as pessoas como bacanas e bocós! Se eu tenho menos de 1.450 scraps, sou bobona? Se eu não coloco no ar minhas fotos de biquíni na praia, sou impopular? Se eu não tenho 25 testemunhais dizendo que sou o máximo, isso faz de mim uma perdedora?
Acho que não. Mesmo assim, esse diabo de Orkut virou referência. A imprensa, por exemplo, se rendeu. Uma porção de matérias agora traz o site como uma fonte de informação. A novela das oito vai mal? “No Orkut, a comunidade pede a morte da protagonista”. Ei! Duas dúzias de desocupados fundam uma comunidade de ódio à atriz e a coisa vira verdade absoluta?
É o demônio do Orkut estendendo suas garras e manipulando a massa. Garanto que, se descobrirem lá dentro que escrevi esse texto, vão me deletar. E aí é morte sócio-virtual certa.
Fla Wonka
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