isso ae tirei do site de umas colunistas mtooo legais da revista Época.....
Vez por outra, o mundo conhece um anti-Cristo. Tivemos Jack, o Estripador, Charles Mason, Osama Bin Laden, Maníaco do Parque, o cara que criou a campanha das Casas Bahia... Muitos foram os infiéis que abalaram as estruturas da nossa pacata vidinha. Ultimamente, uma praga semelhante parece se infiltrar de forma nada velada no cotidiano da sociedade e tomar conta de tudo ao poucos. Esperto, esse endemoniado Orkut.
Parece perseguição. Em tudo quanto é assunto, o malfadado site de relacionamento vem à baila. Falamos de viagens ao espaço, tem alguém que ficou amigo do Neil Armstrong – ou um arremedo dele. Papeamos sobre loiras geladas, alguém recorda de uma comunidade orkutiana “Eu quero um tsunami de cerveja”. Pode?
Não tem escapatória, o país se conectou nesse troço e agora todos só querem engrossar o coro. Não importa se, de amigo mesmo, você só tem o Zé da padaria. O que vale é ter no Orkut uma lista de 564 amigos. Muitos, aposto, nunca viram a fuça do sujeito que acabam de aprovar como camarada. E tem alternativa? Se você não aprova o danado, ele te esconjura e espalha que você é metido. Espalha pelo Orkut, claro. E vira morte sócio-virtual.
Já me garantiram que, hoje, centenas de namoros começam e acabam via Orkut. Começar, eu entendo. O moço viu lá a foto da amiga da prima, achou fofinha... Não levou em consideração que ela escolheu “A Lagarta Serelepe” como seu livro predileto... Criou laços com a menina. Iniciou-se um chamego, um vem-cá-minha-nêga, marcaram encontro, plaft. Namoro engatado.
Mas e o rompimento? Terminar uma relação via internet é bizarro. Então quer dizer que a talzinha chega lá, abre o scrapbook do amado e digita “Beto, num deu certo... Naum eh vc, sou eu. Bejaum”. E pronto? Acabou? Se fazem isso comigo, mando um vírus pro e-mail da maldita. Não se pode tolerar tanto desapego.
O pior é que já vi acontecer um embaraço típico de Orkut bem aqui, na minha cara. Toda pimpona e simpática, mandei mensagem a um antiqüíssimo namorado. Disse apenas que vi suas fotos, notei que os irmãos cresceram e que todos estavam bem. Felicitei. Mandei um abraço. Dias depois, fui convidada a não mais escrever a ele, porque não seria legal. Esposa ciumenta, imagino. Tremenda vergonha...
Não faço mais. Esse negócio de sair contatando gente do passado só vem dando errado no Orkut. Há chance de ver suas amigas de escola mudadas para pior. Há chance de ver os antigos bonitões do colégio virando pessoas maçantes e destruir todo o encanto. É tiro no pé.
Admito que o site do capeta ajuda em um ponto: lembrar aniversários. Nunca fui tão presente ao desejar felicidades para a turma! Nada que uma boa agenda ou uma memória decente não pudessem fazer, por outro lado.
As adversidades são mesmo muito maiores. Li outro dia que, agora, empresas se acostumaram a checar os candidatos a emprego no Orkut. Resumindo: se você está passando por um processo seletivo profissional, é melhor sair das comunidades “Era Jesus um X-Men?” e “Penso muito em sexo”. Tente entrar naquelas bem chatonas sobre MBA, faculdades importantes dos Canadá etc. Os homens estão de olho. Apesar disso ser um despropósito.
Afinal, o Orkut não é um oráculo que define as pessoas como bacanas e bocós! Se eu tenho menos de 1.450 scraps, sou bobona? Se eu não coloco no ar minhas fotos de biquíni na praia, sou impopular? Se eu não tenho 25 testemunhais dizendo que sou o máximo, isso faz de mim uma perdedora?
Acho que não. Mesmo assim, esse diabo de Orkut virou referência. A imprensa, por exemplo, se rendeu. Uma porção de matérias agora traz o site como uma fonte de informação. A novela das oito vai mal? “No Orkut, a comunidade pede a morte da protagonista”. Ei! Duas dúzias de desocupados fundam uma comunidade de ódio à atriz e a coisa vira verdade absoluta?
É o demônio do Orkut estendendo suas garras e manipulando a massa. Garanto que, se descobrirem lá dentro que escrevi esse texto, vão me deletar. E aí é morte sócio-virtual certa.
Fla Wonka
