Juntando tudo que tem rolado, na Tv, nos jornais, nas ruas, pensei em criar um reality show que fosse a metonímia da zorra total, não do programa mas da real situação do país.
Partiria do confinamento, no estilo Big Brother.
Na casa eu reuniria 2 senadores da república, 5 deputados federais, 4 estaduais, 3 vereadores, um sargento da PM, um coronel do exército que esteja na reserva, um jornalista político, um analista econômico, um apresentador de TV, dois empresários, um do comércio e outro da indústria, 2 mulheres maravilhosas, um garotão sarado mas apenas relativamente esperto e 4 pessoas do povo sem específicas habilidades. É evidente que entre os políticos haveria homens e mulheres e é óbvio que seriam representantes de vários estados do país e de diferentes legendas. Mas não mais do que 5.
A casa seria grande. Mas não muito grande pois criar um certo desconforto é desejável em qualquer reality.
A entrada dos participantes na casa já seria algo interessante de se ver. Duvido que o coronel venha a se manifestar com "U-HU" ou "I-HA". As lindas mulheres, o garotão e os representantes não políticos do povo, certamente o farão. Nesse momento também será interessante ver a reação dos políticos, posto ser de bom tom manifestar cumplicidade, identificação com os eleitores.
Nada na casa aconteceria sem que um projeto fosse elaborado e levado a votação. Nada mesmo. Na casa não teria luz, água, comida, segurança ou qualquer tipo de entretenimento.
O apresentador do programa, o Bial da vez, no primeiro programa já daria a eles um número. Sim. Um orçamento. Uma verba que deverá durar 100 dias. Se a mesma será utilizada em alimentação, energia ou entretenimento, os participantes irão decidir. E o que vale aqui, valerá ali. A qualquer momento o apresentador poderá criar novas regras tipo: vocês optaram pela energia eólica, mas ela acaba de ser taxada. No momento de deliberar sobre investimentos na segurança, a produção do programa diria: armas ou livros?
Imaginem os debates. "O bandido entra aqui e eu faço o quê? Mando a enciclopédia na cabeça dele?" E toda vez que a verba for ultrapassada, será possível requisitar um empréstimo, mas vai sobrar para alguém da casa. Toda vez que isso vier a acontecer, alguém será eliminado. E como maldade adicional, quem decide por essa eliminação não é o telespectador, mas os participantes da casa. A maldade é simples de ser percebida.
Qualquer que seja a decisão, elá trará consequências.
Haveria o líder e haveria o participante que gozaria de imunidade.
As provas para decidir a liderança seriam as mais variadas possíveis. Teríamos desde a invasão dos jardins da casa por um grupo de Sem-Terra, o que obrigaria os participantes a decidirem sobre a melhor maneira de enfrentar a situação, até um concurso de danças temático tipo: como você reagiria se o seu coleguinha fosse absolvido em um processo cabeludo?
Quiz show, claro! Quantas horas um trabalhador que ganha três salários precisa trabalhar para comprar um Jeep Cherokee?
Teríamos o confessionário e acrescentaríamos o palanque, a tribuna e um palco.
Votações, só abertas. Que maldade, heim?
Posso estar errado, mas não seria fascinante ver essa turma se articulando, fazendo mil e umas para permanecer na casa e transformá-la em um lugar digno para se viver?
