segunda-feira, 28 de abril de 2008

Isabella Nardoni e o povo

Se há algo que me irrita de verdade é sensacionalismo da imprensa em cima de fatos tristes. Isabella Nardoni, ou melhor, a morte dela, é a bola da vez na mídia brasileira e todos estão fazendo o que está ao alcance da verba para tirar o máximo proveito disso.

Eles mostram a "dor" das pessoas sem sentir nenhum remorso. Pegam a tristeza e espalham-na por todo o país só para ter uns números a mais no ibope e no valor do horário.

Deixando de lado a crueldade da mídia em vasculhar até a última informação (relevante e irrelevante) e virando os olhos para os cidadãos ditos comuns, a situação piora.

O Edifício London, onde aconteceu a tragédia, e a casa dos pais de Alexandre Nardoni viraram ponto turístico. Pessoas vão a esse lugares todo o dia protestar contra não sei o quê - e garanto que nem elas sabem. Deixam seus filhos, suas famílias, suas casas, para gritar na porta de outros que nem conhecem, por crimes das quais elas nem têm provas.

É triste dizer como isso é a cara do Brasil. Garanto que muitas dessas pessoas, se morassem no apartamento ao lado, não teriam feito movimento algum a não ser aumentar o volume da TV.

No Fantástico de ontem, por exemplo, o primeiro bloco foi tomado por reportagens sobre Isabella; principalmente sobre a reconstituição que ocorreu durante todo o domingo. Quando estava quase trocando de canal, uma reportagem me chamou a atenção: tratava dos espectadores de toda essa tragédia.

Você pode assistir a reportagem aqui embaixo, aproveitando a ótima iniciativa da Globo em disponibilizar oficialmente parte de seu conteúdo jornalístico de graça na web.

O mais bacana de tudo, além do tom debochado do Ernesto Paglia, é a ironia que se faz em torno disso tudo - como se o povo estivesse fazendo demais do caso e a imprensa só comentasse qualquer coisa no fim do Jornal da Globo.

Desculpa dizer isso, mas eu me diverti.