segunda-feira, 25 de dezembro de 2006

"França tira Brasil da Copa. De novo" [JULHO/2006]

Nunca gostei de futebol o suficiente para ter o humor alterado quando o Grêmio perde o Gre-Nal ou coisa parecida. Também nunca assisti nervoso um jogo importante que todos comentavam. Nunca soube quem cairia, quem se classificaria, ou que substituições foram erradas, que jogadas foram tolas. Porém eu até que estava ligado nessa Fifa World Cup 2006, nem tanto pelo futebol, mas sim porque essa é a "copa da tecnologia", porque nunca se fez uma cobertura tão completa pela internet (meu lar do mundo cibernético) ou porque mesmo surgia algum pequeno sentimento patriota dentro de mim, num embalo com tudo o que se diz por aí -- é a Copa mais falada que eu vivi.
Mas não importa de que forma acompanhei, deu para sentir uma dorzinha pela derrota do Brasil pela França. Meus amigos que digam: eu não estava torcendo para o Brasil (isso apaga o patriotismo que disse antes?), e realmente estava torcendo por uma derrota em algum esperado jogo da Copa. Pessoas choravam, quadras de escolas de samba estavam vazias, praças estavam com telões desligados e pessoas caminhando de volta a suas casas. É meio triste pensar que um "sonho" acabou.
Acidamente, essa coisas me fazem lembrar o quanto me satisfaz uma derrota desse porte bem no meio de todo o festerê: que sonho acabou? O sonho que todos diziam realizado pois a mídia -- sim, a própria -- publicou com seu sensacionalismo que a Copa da Alemanha já era título para o Brasil, e colocou a seleção no alto de um pedestal que se provou bem pequeno logo no primeiro jogo. E não foi só a imprensa nacional, o mundo disse que o Brasil era favorito; pelo menos os veículos nacionais tiveram setocômetro e não esculacharam tanto o Brasil depois da primeira partida.
Realmente a derrota foi ótima. A Globo está fazendo as malas, "e parte da equipe foi remanejada para seguir o time português". Estão se obrigando, não é mesmo? Agora só restou o Felipão. Quem sabe assim o brasileiro se liga que ninguém precisa ter horário especial pra assistir os jogos da seleção. Prioridade é superar a pobreza, a fome, a corrupção, a marginalidade. É uma espécie de carnaval que dura um mês: o país pára apenas para torcer e ficar grudado na TV Globo, enquanto eles infiltram na cabeça do povão coisas "bonitas".
Mas não se teve notícias de assaltos e assassinatos nesse mês, nem corrupção em Brasília. Quem sabe está aí uma coisa boa nessa história toda: é só alegria. Hah, mas não é por que a gente não vê as coisas que as tais não acontecem. Acorda brasileiro! E lembra que a partir de amanhã o Jornal Nacional é somente ao vivo do Brasil, com direito a problemas governamentais de Brasília, tiroteio nas favelas do Rio e polícia nas ruas.

PS: durante o jogo do Brasil a banda Detonautas fez um protesto numa das mais movimentadas ruas do Rio de Janeiro, sendo que um dos integrantes ficou pelado e NENHUM policial foi tirar ele de lá. Conclusão: durante o jogo do Brasil, vale tudo porque a polícia está ocupada de mais torcendo.