terça-feira, 26 de dezembro de 2006

O dia em que um professor não ensinaria tanto [AGOSTO/2006]

Ontem, sexta dia 11, dia do Estudante, recebemos a inesperada tarefa de bolar um cartaz com o tema "O que é ser estudante?". O trabalho, que deveria ser feito pela turma inteira sob coordenação de um professor era para ser entregue dentro de algumas dezenas de minutos. Porém, nossa professora de química não apareceu, nos deixando com dois períodos descompromissados e sem ninguém para coordenar o trabalho. Realmente é preocupante pensar numa turma de 2º ano sem uma boa alma pra pôr ordem.
Depois de receber a tarefa, a monitora da escola "sugeriu" que fizéssemos um círculo e mais alguma coisa que não lembro. E saiu. O círculo estava forma e o pedaço de papel em branco sobre duas classes no centro da roda. Olhares e idéias soltas, nada muito significativo para nosso trabalho. Éramos 28, mas ninguém era iluminado de ter algum pensamento que servisse de sugestão aceita. Até que uma idéia muito doida -- "cada um vai lá e faz um rabisco de olhos fechados" -- se transformou em algo mais real: cada aluno vai até o cartaz e faz um desenho. Depois a gente via o que fazer. Enquanto cada um desenha qualquer bobagem, desde estrelas, símbolos, até sinais de pontuação e árvore, a idéia do "ser estudante" se desenvolveu e escolhemos nossa proposta-título: ser estudante: liberdade de expres²ão. Com isso começaram a se formar fórmulas químicas, gráficos, pérolas docentes, bolas e outras coisas ligadas a nossa rotina escolar. Depois vieram as cores, e cada um contribuiu pintando alguma parte. E também as assinaturas. Finalmente:


No início, ninguém tinha iniciativa, mas todos aceitamos uma idéia incomum. Com o tempo todos aderiram a causa, contribuíram e fizeram questão de assinar um dos cartazes mais criativos da escola nesse dia. Ficou muito amador, mas completamente de acordo com o que escolhemos. Cada um fez o que quis, pintou da cor que achava melhor; teve sua liberdade de se expressar. E, apesar daquelas típicas situações socias -- grupinhos, diferenças, olhares atravessados --, conseguimos trabalhar juntos e o resultado superou expectativas. E de novo aprendemos que juntos podemos fazer mais e melhor. Integração e lições que nenhuma aula conseguiria.