A gente pode começar nosso dia levantando meio atrasado, caminhando rápido, rindo, chegando depois do sinal e reclamando da loucura que está o relógio da escola. Agüentar grosserias, reclamar mais um pouco de que o relógio precisa ser acertado e entrar na sala.
Aula e aula, saber que a professora que a gente tanto preza entrou em laudo médico, ou seja, estamos sem português - e o que é pior: sem o espetáculo de literatura que é a aula dela. Todos seríamos compreensivos, se conseguíssemos acreditar que está mesmo doente e não é só mais uma cutucada (leia-se esculhambação) para atiçar a atual direção. Mais reclamações, muitos questionamentos envolvendo ética, o corpo docente, o futuro da escola, o nosso futuro. E um período de leitura inédito. Para variar, a hora da saída tem que ter chuva - que nós aproveitamos felizes.
Antes do 2º round, uma música para relaxar, um tempo sozinho, um tempo para a cabeça. De tarde a correria de sempre e a indignação. Indignação por ter confiado, por ter confiado mesmo andando desconfiado, por ter sido golpe justamente da desconfiança que a burrice atropelou. E arrependimento por não ter visitado o Mercado Livre.
Inglês, falar, ouvir. Esperar ansiosamente pela janta com (quase) toda a família e ser surpreendido no caminho. Ter aquele já conhecido turbilhão de idéias, hipóteses e medos envolvendo meu pensamento e me paralisando, me desarmando. Não ter palavras.
Ter a noite totalmente revirada, os planos desfeitos, as conversas adiadas, o dia apagado. Simplesmente estar avoado, não ter palavras. Nenhuma. E mesmo assim conseguir falar tudo sem falar nada.
