A China Superpotência começa a mostrar sua cara. E ela não é das mais bonitas.
Por Eduardo Szklarz e Sérgio Gwercman, em Super Interessante edição 235 - Janeiro/2007
O ex-líder chinês Deng Xiaoping tinha um lema para definir sua política exterior: taoguang yanghui - ou "esconda sua capacidade, espere a oportunidade". Dito e feito. Há 50 anos, a China raramente viajava no carro dos líderes que guiavam o planeta. Há 10 anos, de vez em quando conquistava o direito de sentar no banco de trás. Hoje, a oportunidade de que Deng Xiaoping falava parece ter aparecido. A China dá toda a pinta de estar interessada em assumir o volante do carro: já disputa com a Alemanha o posto de 3ª economia mundial e, se continuar nesse ritmo, em 3 ou 4 décadas será capaz de rivalizar com os EUA.
Parece uma grande notícia para quem está cansado de ver os americanos dar sozinhos as cartas no planeta (e alguém não está?). Mas, a julgar por suas primeiras ações, a superpotência China não está lá muito preocupada em entrar para a história moderna pela porta da frente. Os chineses não têm grande apreço pela opinião pública. Não parecem se importar com as conseqüências do que fazem. E adoram esconder seus objetivos.
Por isso mesmo, ninguém sabe ao certo como a China se comportará quando chegar à liderança. A única certeza é que o país tem duas prioridades internacionais: evitar que a independência de Taiwan seja reconhecida e suprir suas (enormes) necessidades energéticas. A primeira prioridade tem sido moleza: em busca de acordos comerciais ou investimentos em infra-estrutura, muitos países africanos e latinos (Brasil inclusive) têm concordado em colocar a ilha rebelde no gelo. Para resolver a segunda, a China enfia o pé na lama. Em busca de minério de ferro, óleo ou madeira, os chineses saíram às compras, em todos os cantos do planeta, sem se preocupar com os detalhes - bobagens como poluição, aquecimento global ou a ficha do vendedor.
O petróleo é deles
A China só perde para os EUA em emissões de gases que causam o aquecimento global. É considerada a nação mais suja e poluída do planeta - Pequim recentemente teve de suspender as aulas após a poluição do ar atingir 414 numa escala de 500. Mas, enquanto o mundo inteiro promete investir em energias alternativas, os chineses vão em outro sentido. As importações de petróleo só crescem. Hoje, chegam a 45% do consumo. Em 2020, serão 60% - e estamos falando aqui do segundo mais consumidor de óleo do mundo.
