sexta-feira, 10 de novembro de 2006

Os 10 menos da net

Desnecessário dizer que a internet abriu um monte de portas para todos nós (por “todos” entenda-se aqueles que podem bancar um computador e a conta de telefone ou o boleto do provedor no fim do mês). A comunicação entre as pessoas deu um salto tecnológico e antípodas ficaram ao alcance de um clique, pesquisas se tornaram muito mais fáceis com a disseminação da informação e as músicas que a gente tentava gravar à custa de horas diante do rádio, com o rec e o play sob os dedos, estão logo ali. Mas espera aí. Se eu comecei esse parágrafo com “desnecessário dizer”, por que raios estou falando tudo isso? O que eu quero é reclamar!

Sim, porque a rede mundial de computadores é incrível, facilitadora, necessária e até inevitável. Mas tem igual capacidade de encher os pacovás dos seus usuários, surfistas ou navegantes. A começar por esses termos. “Usuário”, para mim, é o Marcelo D2. “Surfista”, o Kelly Slater. E “navegante”, embora seja meu favorito, me faz lembrar de Colombo, Cabral e camaradinhas. De qualquer forma, nem é isso que me tira do sério quando estou sentada diante do PC vendo, ali no canto da barra inferior, os dois computadorezinhos de tela verde ligados por um cabo (gente, que computador de hoje ainda tem essa telinha verde?!).

Na opinião desta navegante, o pior mesmo da rede é...

Errar a digitação da senha
Como é tudo criptografado, quando percebo que meus dedos se rebelaram e apertaram outras teclas, não posso saber exatamente onde errei. Resultado? Toca a apagar e começar tudo de novo. Quando a senha é “ursinhobilu”, digitar duas vezes não é tão ruim. Mas e quando é composta de números e caracteres sem nenhuma conexão aparente? Urgh!

Ser perseguida por um pop-up
Eles foram reconhecidos como uma das maiores chatices não só da internet, mas também do mundo, logo cedo. Em vez de ouvirem as pesquisas de opinião dos “usuários” e acabarem de vez com os pop-ups, os grandes portais preferiram criar modelos mais, digamos, persuasivos (entenda-se “chatos”). Agora, pop-ups são capazes de perseguir seu cursor na tela. Grrrr.

Perder a notícia ou o link randômico que você queria
No impulso, a gente clica em “apagar e-mail”, recarrega a página e, enquanto espera recarregar, percebe que tinha ali uma notícia interessante ou um oferta boa – que nunca mais será encontrada. O mesmo acontece em capas de portais, que se atualizam sozinhas a cada par de minutos. Topou com a manchete “Beyoncé peladona” ou “iMac em promoção”, clica logo.

Encarar um captcha malicioso
Você quer mandar um e-mail para aquele colega de colegial desencavado do orkut. É só abrir uma página, digitar algumas palavras e clicar no “Enviar”. Simples, não? Não tão rápido, pequeno Kelly Slater. Se o e-mail do seu amigo é munido de captcha, será necessário decifrar uma complexa e insidiosa seqüência de letras e números envoltos em linhas pontilhadas. Saco.

Ser assediada por e-mails vendendo Rolex, Viagra e Xanax
O tal do captcha foi criado justamente para evitar a fadiga descrita neste item. Mas o curioso é que continuo recebendo dezenas de propostas indecentes, enviadas por gente que acha que sou algum tipo de impostora, brocha ou que tenho síndrome do pânico. Aliás, se eu sofresse de algum desses problemas, jamais confiaria a solução dele (e meu cartão de crédito) a um spammer. Blé.

Abrir um site com trilha sonora
Você está lá, contente, ouvindo sua seleção recém-baixada de funk proibidão enquanto navega pela net. Repentinamente, seu funk proibidão começa a se distorcer (mais ainda). Se não é “Jesus Alegria dos Homens” em midi! Dúvida número um: por que um website sobre receitas de pão doce precisa tocar isso? Dúvida número dois: quando Bach vai puxar o pé do fdp que teve essa idéia?

Adentrar sites com pedidos de comentário, voto, cesta básica, etc
Nada de mal em deixar um recadinho do tipo “Gostou? Então comente!” ao fim dos posts. O que me deixa puta mesmo é ser interrompida por uma janela de sistema com os dizeres “Vota no meu site para o Top150 Blogs de Santa Terezinha do Mato Adentro?”. E quando você clica em fechar e vem outra, do tipo “Então, já votou no meu site para o Top150 Blogs de Santa Terezinha do Mato Adentro?”. Argh!

Topar com comentários com desenhos no seu scrap do orkut
Que tal fazer desenhos de florzinhas, anjos e peixinhos no seu próprio blog (e quiçá até inscrevê-lo no Top150 Blogs de Santa Terezinha do Mato Adentro)? E não me venha com “clique aqui”, porque eu não clico porra nenhuma. Quem quer dizer que se lembrou de alguém não usa tanta mensagem padrão assim. Pior ainda é quando escapa um espaço e os desenhos se deformam. Credo.

Receber borbotões de mensagens instantâneas quando seu status é “Ocupado” ou “Ao telefone”
“Ocupado” ou “Ao telefone” podem significar duas coisas: que você está de fato ocupada ou foi atender ao telefone, ou que você não quer falar com ninguém. Mas eu não sei onde esse mundo vai parar, já que ninguém mais respeita os status do MSN (eu inclusa). Talvez precisemos de definições mais diretas, como “Não tô a fim de conversar”, “Fingirei que não estou” ou “Nem tente”.

Ser soterrada por e-mails com lendas urbanas
Peraí. Pensando bem, desse na verdade eu gosto. Me deleito com as “novas modalidades de assalto”, corro os olhos com humor sobre as “correntes de insira-aqui-um-santo” (jamais quebradas desde 1450 a.C.), me surpreendo com a criatividade cada vez maior das histórias sobre produtos que causam doenças terríveis (embora acredite secretamente que o consumo contínuo e prolongado de Fanta Uva resulte em danos morais irreversíveis).

Este post foi escrito por Clara McFly, no blog Garotas que Dizem Ni. Para ler o original clique aqui, ou acesse o site.