Você já assistiu Antônia? Aquela série nova da Rede Globo que conta a história de quatro moças, que vivem em uma grande favela de São Paulo, em busca do sucesso com um grupo chamado justamente Antônia. É visível a crescente preocupação na mídia brasileira em mostrar o lado bom das favelas do Brasil, principalmente os veículos da Globo, como jornais, rádio e a própria emissora. Já há algum tempo no ar, por exemplo, tem o Central da Periferia, ou Minha Periferia, que mostra detalhes "legais" dessas comunidades extremamente carentes (e aqui não tô falando só de grana).Voltando à série, não sou muito chegado à hip-hop, mas tenho que confessar que as músicas delas são, na maioria, boas; e, talvez, o maior motivo para mim ter gostado é a atuação da Negra Li, num papel discretamente protagonista.
Nessa admiração que cresceu faz poucas semanas, decidi escrever sobre ela hoje. No site oficial da cantora, sua biografia:
“Então, Negra Li. É sua vez de provar. Canta, grita, põe pra fora. Ninguém pode te impedir de falar”. O chamado de Marcello Red abre NEGRA LIVRE provocando: chegou a hora de Liliane de Carvalho fazer seu trabalho sozinha. A menina que nasceu na Vila Brasilândia não tem mais o ombro (e a voz, e o discurso) do amigo de Helião, o parceiro de seu disco de estréia. Agora, é ela quem paga a conta.Bom, ela é do tipo que não se expunha demais. Talvez agora com a série mais pessoas fiquem sabendo quem é Negra Li, mas uma das coisas que admiro nela é que nunca vi ela fazer aquele draminha de "coitada que morou em favela e agora merece vencer na vida". Sempre apareceu como uma pessoa humilde e cautelosa, por isso ela ainda tem uma grande carreira pela frente.
Gravar um disco solo não estava nos planos de Negra Li quando o convite da Universal Music apareceu, lá em 2004. Ela vinha do trio de rap RZO (Rapaziada Zona Oeste) e estava acostumada a um esquema coletivo de criação.
Sabiamente, achou que ainda não era o momento de gravar um disco solo. Conversou com a direção da gravadora e conseguiu emplacar seu projeto em parceria com Helião. O resultado, o ótimo Guerreiro, Guerreira entrou para a história como o primeiro disco de rap brasileiro bancado por uma multinacional. E ela, Negra Li, subiu ao posto (criado para ela, já que nunca houve outra desse porte) de nossa maior estrela na arte das rimas. Era o rap começando sua escalada ao mainstream.
As gravadoras começaram a se interessar por Negra Li em 2000, despertadas por sua participação em “Não É Sério”, faixa do CD “Nadando com os Tubarões”, da banda santista Charlie Brown Jr. Desde então, e até chegar a Guerreiro, Guerreira, ela foi desviando das várias propostas que foram aparecendo. Não se deixou cair em tentação – o que, convenhamos, não deve ser tão fácil assim para ninguém, menos ainda para quem levou uma vida dura feito a dela.
Liliane nasceu há 27 anos na Vila Brasilândia, um dos bairros mais violentos da periferia da zona norte de São Paulo, onde as coisas não costumam ser das mais fáceis. Descobriu sua voz na igreja, que freqüentava mais pela cantoria do que por qualquer outra razão. Aos 12 anos, alguém disse que ela tinha beleza suficiente para desfilar. Com o apoio da mãe, fez pequenos desfiles até completar 14 anos e entrar para uma escola de teatro.
A música veio dos 16 para os 17, quando um amigo precisava de uma voz para seu grupo de rap. Em uma apresentação com este grupo (do qual ela sequer lembra o nome), conheceu Helião e foi levada para o RZO – essa, sim, sua grande escola. Ali, começou a exercitar seus talentos de compositora, criou um discurso político, fortaleceu sua voz.
Em 2000, foi procurar o coral da USP para “aprender a cantar”. Apaixonada por rhythm´n´blues, jazz e música negra melódica, passou a adolescência com o ouvido colado no rádio para imitar os vocais tortuosos de algumas de suas cantoras favoritas, como Lauryn Hill, Whitney Houston e Mary J. Blige. Há dois anos está matriculada em uma escola de música, onde também aprende piano.
Para finalizar, inaugurando mais um acessório no blog, ouça agora a primeira música do disco solo da Negra Li, Você Vai Estar Na Minha.
