sexta-feira, 28 de abril de 2006

Feliz aniversário Antônio!

Como passou depressa. Meu irmão ja tá fazendo um ano. Quantas coisas aconteceram antes do dia 28 de abril de 2005, e quantas outras depois desse dia!
Lembro como se fosse ontem: os dias que antecederam o nascimento, aquela manhã meio fria, a ansiedade, a primeira vez que vi ele, as congratulações, as visitas que falavam baixinho, as mensagens no celular. E como ele era pequeninho e frágil.
Há pouco mais de um ano atrás o clima aqui em casa era angústia total. Minha mãe estava super ansiosa, e supeeer preocupara com a saúde do nenê, coisas de mãe, sabe. Eu estava confiante que tudo sairia bem, mas só fui perceber que ainda não tinha digerido a idéia de outra pessoa na família depois que vi ele. No dia 28 não fui pra escola, lembro bem. Todos aqui em casa foram para o hospital e eu fiquei em casa, depois que acordei fui direto para o hospital, e quando cheguei ele já estava no berço.
Posso dizer que ele era o bolo de cartilagem mais lindo que já vi. Cheio de cobertas por causa do frio, com uma mãozinha pra fora, respirando e resmungando feito "ronco infantil". Era só admirar, e era difícil de acreditar que depois de tanto tempo eu teria alguém pra chamar de irmão. Mas ele estava lá. Sei que sou suspeito a falar, mas foi um dos recém-nascidos mais bonitos que já vi. Não sei como descrever o que senti. Foi único.
A cena que veio depois foi única também: estávamos eu, o pai e a vó ajoelhados do lado do berço olhando, e olhando, e olhando. Cada suspiro era um enorme sorriso - se é que dava pra aumentar. Daí começaram as primeiras visitas familiares. Nossa, que dias! Sempre que podia eu ia até lá ver ele e a mãe.
Então vieram algumas novas idéias de como seria a vida dali pra frente. Não foram pensamentos de ciúmes, como muitas pessoas pensavam que aconteceria, mas era uma nova vida, frágil e inocente no mundo -- preocupa qualquer esboço de adulto uma coisa assim --, que precisava de cuidados, amor, educação. Ele tinha tudo isso, tinha uma família que lhe queria muito. Ainda tem.
O tempo passou e as mãos se tornaram mais fortes, o corpo dele começou a ter ossos de verdade e o medo de pegá-lo foi sumindo. Surgiram as brincadeiras, aquelas coisas bobas de pai, mãe, avó e quem mais estiver disposto a ver um sorriso. Isso também não era lá muito difícil, o Antônio sempre foi muito sorridente, e que sorrisos!
Mas o que mais me impressiona e emociona foi ver o desenvolvimento nesse ano. Era uma pessoinha que quase nem se mexia. Dormia a maior parte do dia, acordava e ia tomar leito no peito, depois vomitava num felizardo e voltava a dormir. Então começou a reconhecer as pessoas, e dar os sorrisos de gratidão e satisfação. Os banhos com todo o cuidado no inverno, assistido sempre por toda a família. Ou a disputa que era ter ele no colo.
Deu os primeiros sustos, é claro. E fui vítima de um dos primeiros. Não lembro quantos meses ele tinha, mas eram uns 8, 9. Ele estava deitado na minha cama, brincando e batendo suas perninhas. Rindo e gritando, conversando. Eu me virei e ele caiu! Mas não foi minha culpa! Em um segundo ele se empurrou para fora da cama e ainda caiu de bruços. Aquele dia quase morri. Foi um susto enooorme. Em todos aqui em casa!
Poderia ficar horas contando muitas das coisas que aconteceram nesses últimos 365 dias. Como ele reconhecia a mamadeira e perdia a paciência. Ou como ele sabia que quando alguém chegava perto da porta era para sair (ele chorava porque queria ir junto). Ou os brinquedos. Ou aquele dia que bateu palmas pela primeira vez. Quando ele fez tchau pra mim na porta de casa. Ou as vezes que ele pegava o controle remoto e virava para a TV. Ou o dia em que ele comeu um BIS depois do almoço, terminando com chocolate até nas orelhas. Ou como ele queria sentar na mesa com nós na hora das refeições, não adiantava deixá-lo no carrinho, ou no cadeirote; ele queria é estar sentado como o resto da família. Até pega o celular e coloca no ouvido para falar!
E agora que ele já pega bolas, atira-as e diz "gol". Ou bate palmas quando começamos a cantar "parabéns pra você, nesta data querida...". Os passos que insistia em fazer, e nos alugava por horas para ficar de apoio para suas caminhadas. Ou ele se abaixando para pegar alguma coisa no chão, ou para espiar em baixo de algo. Um mundo de descobertas. É triste pensar que muitas dessas experiências não voltam mais, que essas coisas lindas que vi, que é o desenvolvimento de uma criança são acontecimentos únicos.
E é inacreditável já ter passado um ano de tudo isso, quantas histórias. E quanto amor.
Parabéns, maninho!