Já era notícia na imprensa a possível greve do magistério aqui no estado, mas daí no primeiro dia de aula veio a surpresa nas grandes cidades: escolas fechadas. Aqui em Serafina tudo corria normalmente; o primeiro dia foi como sempre, o segundo foi praticamente normal se não tivessem liberado os alunos porque haveria uma reunião pra decidir os rumos da paralização na escola. A esta altura já eram mais ou menos cinco os professores que já haviam aderido.
Ontem, segunda, foi feita outra reunião para a decisão definitiva do corpo docente do Carneiro de Campos. Ou todos fariam greve, ou ninguém.
Pelas informações que recebi agora por fontes amigáveis seguras, o voto pela paralização foi quase unânime, resultando na volta de todos os alunos para casa, ainda nas primeiras horas da manhã. A greve havia sido aceita, acatada, decretada! E os alunos tornaram-se ligeiramente unidos, as turmas estavam espalhadas ao redor da escola, esperando transporte, esperando notícias.
Eu não faço desta decisão um drama enorme, nem digo que os alunos estavam aflitos pela paralisação, nem que a escola não nos informou sobre o que haviam decidido; eu cheguei para o segundo período de aula, pois o professor responsável pelo primeira estava em greve, então perdi uma boa parte da "apresentação".
Tudo bem. É claro que eu não quero ficar sem aula, não nessas circunstâncias. Mas os professores têm seus motivos, e respeito isso. Não quero me meter nessa decisão. Como disse a Profª Adria ontem: "parar a escola é algo que causa impacto, precisamos de impacto para chamar a atenção", talvez não com essas palavras, mas foi isso de qualquer forma. Então, acho que os mestres precisam sim de aumento salarial, e estou apoiando eles nesse sentido, mesmo contra a paralização.
Do outro lado, muitos alunos acham uma falta de respeito os professores fazerem greve, uma vergonha. Falta de respeito é um professor sentar numa cadeira toda quebrada, falar para 30 alunos, dos quais 20 não estão querendo ouvir, e ainda agüentar pais no final do ano reclamando do rendimento do filho bagunceiro, como se fosse culpa do professor.
Estamos, de novo, na era da revolução.
